Futebol, política e religião são, historicamente, temas fraturantes e de difícil discussão porque a razão teima em estar obstinadamente SEMPRE do nosso lado. São temas proibidos que não permitem discussão nem apontamentos de humor porque rapidamente se resvala para a crítica vazia ou mesmo para o insulto gratuito.
As redes sociais têm vindo a substituir as tertúlias de café e são um excelente viveiro para mostrar e estudar estes fenómenos, onde as pessoas se transfiguram… ou simplesmente se revelam… e rapidamente se deixam cair numa irracionalidade de argumentos que não admite contraditório.
É difícil manter o equilíbrio mesmo para quem se considera equilibrado e a razão dos fundamentos perde normalmente a razão porque se deixa cegar pela emoção.
Fundamentos fundamentalistas que exacerbam paixões e que turvam a visão… principalmente a “visão” intelectual, que passa a argumentar apenas numa direção e que perde, por isso, capacidade de análise e de “visão” periférica.
Os factos existem para dar consistência à nossa posição e são ignorados quando inclinam a discussão a favor da outra posição.
Mesmo que do outro lado existam argumentos sólidos, lógicos e coerentes… apenas vemos o fervor dos outros sem nos apercebermos do nosso!
Razão irracional. É este o paradoxo que se transforma no paradigma da base instável que sustenta a razão dos fundamentos. Paradigma axiomático para nós, paradoxo patético para os outros. Sem fundamento no paradigma… com fundamento no paradoxo.
Nestes momentos e nestas “discussões” esquecemos que a roda das cores não é monocromática e que vida só faz sentido quando a “pintamos”, ou se preferirem, quando a vivemos na plenitude de todas as nuances e que o equilíbrio se atinge com a mistura de tonalidades mais escuras e mais claras… não esquecendo de usar a roda em 360º… porque a persistência numa obstinação monocromática, limita-nos e apenas nos torna mais azedos e menos felizes.
E quando tivermos a capacidade para nos afastarmos das nossas convicções fundamentalistas, começamos a perceber que nem sempre há razão nos nossos fundamentos… e começamos a ter mais razão nas nossas vidas!
