Lina Canas é a nova diretora do Centro de Ciência Viva de Constância - Parque de Astronomia. Foto: mediotejo.net

A memória daquela noite permanece viva 30 anos depois. Lina Canas tinha 16 ou 17 anos, estava de férias no Algarve com a irmã e o cunhado e participou numa sessão de astronomia junto à praia. Havia um telescópio, um céu noturno para observar e um mediador de ciência a explicar o que estava diante dos olhos dos participantes.

Para a adolescente que ainda não sabia exatamente que profissão queria seguir, mas já tinha uma inclinação clara pelas ciências, aquele momento foi um “clique”. “Eu tive um momento de, é isto que eu quero fazer para o resto da minha vida”, recorda.

Lina nasceu em Torres Novas, em 29 de maio de 1981, e fez ali todo o percurso escolar até ao 12.º ano, primeiro na Escola Manuel de Figueiredo e depois na Escola Maria Lamas. Física, Química e Matemática foram cedo as suas áreas de eleição, tanto por uma aptidão natural como pelo gosto de compreender o mundo através da ciência, da experiência e da experimentação.

A noite em que Lina Canas olhou para Saturno e decidiu ser astrónoma. Hoje é diretora do CCV Constância – Parque de Astronomia

A Astronomia surgiu, porém, fora da escola. Naquela noite no Algarve, quando perguntou onde poderia estudar aquilo que estava a descobrir, ouviu uma resposta que acabou por confirmar que tinha encontrado a sua área: astronomia não era apenas olhar para as estrelas, era Física e Matemática.

“E eu, perfeito. Era a minha praia”, conta, lembrando o momento em que descobriu que na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto existia o curso de Física e Matemática Aplicada, ramo de Astronomia, criado pela professora Teresa Lago e então único em Portugal especificamente dedicado à área.

Foi para o Porto e entrou diretamente na universidade, dando início a um percurso que haveria de levá-la muito mais longe do que alguma vez poderia imaginar naquela noite algarvia.

Na Grande Muralha, numa visita à China durante a Assembleia Geral da União Astronómica Internacional. Apresentou o programa, desenvolvido enquanto trabalhava no planetário de Espinho, de iniciativas que utilizava o planetário como equipamento central na consciencialização da sociedade para o problema da poluição luminosa (Pequim, 2012).

Da observação do céu à vontade de o explicar

A universidade trouxe-lhe o conhecimento científico, mas também lhe mostrou que queria fazer outra coisa com ele. Ainda nos primeiros anos começou a trabalhar na comunicação de ciência, primeiro no Planetário Portátil do Porto e depois no Planetário de Espinho, onde permaneceu cerca de seis ou sete anos.

Foi sobretudo em Espinho, onde coexistiam um planetário fixo e um observatório, que percebeu que a astronomia podia ser muito mais do que aquilo que se aprendia nos livros ou se observava através de um telescópio.

Na Grande Pirâmide, numa visita ao Egito durante a Conferência da Sociedade Internacional de Planetários onde apresentou um programa desenvolvido enquanto trabalhava no planetário de Espinho no âmbito da Ocupação Científica de Jovens nas Férias, nas quais os jovens participantes escreviam, e realizavam sessões de cinema imersivo. (Cairo, 2010).

Havia espaço para experimentar e para criar novas formas de comunicar. O diretor António Pedrosa dava liberdade à equipa para testar ideias e Lina aproveitou-a para transformar a divulgação científica numa experiência.

Fizeram “jantares em Marte”, em que o planetário se transformava numa nave espacial que percorria os diferentes objetos do Sistema Solar, noites de acampamento dentro do planetário e sessões de raiz sobre temas como os buracos negros ou a química do Universo, algumas narradas por Nuno Markl ou Ana Bacalhau.

“Tínhamos ali espaço e oportunidade para darmos a nossa imaginação e ao nosso gosto de comunicar ciência”, recorda. Foi aí que ganhou definitivamente o gosto pela comunicação.

Atividade de exploração táctil da superfície da Lua com públicos cegos ou com baixa visão. Atividade no âmbito do projeto ‘O Céu nas Tuas Mãos’ implementado enquanto trabalhava para o NUCLIO – Núcleo Interativo de Astronomia e Inovação em Educação (Porto, 2013).

Depois da licenciatura, fez um mestrado em Geofísica e passou pelo Núcleo Interativo de Astronomia, com uma forte componente de educação formal e formação de professores. Em paralelo, foi construindo uma dimensão internacional através de trabalho voluntário em organizações ligadas à astronomia, entre elas a União Astronómica Internacional e os Astrónomos Sem Fronteiras.

Essa combinação de experiência profissional, educação, comunicação e voluntariado permitiu-lhe construir uma rede internacional e um perfil que acabaria por abrir uma porta decisiva na sua carreira.

Equipa do Gabinete de Divulgação de Astronomia da União Astronómica Internacional, durante a Assembleia Geral da União Astronómica Internacional realizada na Coreia do Sul (Busan, 2022).

A oportunidade surgiu quando estava a fazer um doutoramento, em Coimbra, dedicado à comunicação de astronomia para pessoas cegas e com baixa visão. O trabalho tinha uma forte componente prática, mas uma candidatura para uma posição no Office for Astronomy Outreach, o gabinete de divulgação da União Astronómica Internacional, em Tóquio, colocou-a perante uma escolha.

“Estava a tirar o meu doutoramento, que deixei, porque de facto achei que era uma oportunidade única e era isto que eu queria fazer.”

Foi para o Japão e acabou por permanecer oito anos, primeiro como assistente da direção e depois como diretora do gabinete de divulgação de astronomia da União Astronómica Internacional, cargo que exerceu durante quatro anos.

No Observatório Nacional de Astronomia Japonês, sede do Gabinete de Divulgação de Astronomia da União Astronómica Internacional com a equipa. (Tóquio, 2015)

O mundo visto através da astronomia

Em Tóquio, Lina Canas passou a trabalhar com uma rede internacional que, quando saiu em 2023, tinha representação de cerca de 140 países. A experiência ensinou-lhe muito sobre diferenças culturais, mas sobretudo sobre aquilo que considera ser mais importante: o que aproxima as pessoas.

“Todos nós somos seres humanos”, diz, lembrando que, apesar de culturas e formas de viver diferentes, havia algo que unia aquela comunidade espalhada pelo mundo: o amor pela astronomia e a convicção de que a ciência podia contribuir para tornar o mundo melhor.

Durante a cerimónia de inauguração dos 100 anos da União Astronómica Internacional “IAU 1919–2019: 100 Anos sob um Mesmo Céu” que teve lugar no Palácio das Academias (Bruxelas, 2019)

Foi também no Japão que viveu um dos períodos mais marcantes da sua carreira, ao assumir a direção do gabinete durante a pandemia. De repente, a rede internacional que coordenava ficou confinada e as comunidades de diferentes países enfrentaram situações dramáticas.

O desafio passou a ser manter os contactos e a entreajuda quando as pessoas não podiam encontrar-se.

Nas instalações do Telescópio Subaru, Mauna Kea, Havai. Uma visita durante a Assembleia Geral da União Astronómica Internacional realizada em Honolulu (Havai, 2015).

A astronomia acabou por oferecer uma linguagem comum: cada pessoa podia olhar pela janela e saber que, do outro lado do mundo, outras pessoas estavam a olhar para o mesmo céu. “Aquele sentimento foi fantástico”, recorda, considerando esse período de entreajuda um dos momentos que mais a marcou.

Entre os projetos que guarda dessa fase estão também a organização de conferências internacionais de comunicação de astronomia, a celebração do centenário da União Astronómica Internacional e o projeto NameExoWorlds, que permitiu a pessoas de diferentes países participar na atribuição de nomes a sistemas planetários.

A apresentar o projeto Astronomia Inclusiva na conferência Comunicar Astronomia com o Público realizada na Colômbia (Medellín, 2016).

Mas, quando olha para trás, não é um projeto específico que destaca. São as pessoas e as relações que construiu.

“A relação humana, as relações que eu estabeleci, as pessoas que eu conheci, as pessoas que em conjunto ultrapassaram a adversidade, acho que é algo que me marcou mais do que um projeto em específico.”

Observação do eclipse total do Sol ocorrido nas Ilhas Molucas, Indonésia, que decorreu no âmbito de uma ação de voluntariado feita com o grupo indonésio de divulgação de astronomia langitselatan numa comunidade escolar. (Molucas, 2016)

Depois de Tóquio veio Paris, onde passou a desempenhar funções na sede da União Astronómica Internacional, mais ligadas à coordenação de membros e à comunicação institucional.

Era uma comunicação diferente, centrada na organização e no valor que a instituição representava para a comunidade astronómica. A carreira internacional estava consolidada, mas o desejo de regressar a Portugal nunca desapareceu. E, mais do que Portugal, queria regressar à região onde nasceu.

Foto de grupo oficial da Conferência Comunicar Astronomia com o Público em 2018, composta por mais de 450 participantes de 53 países.
(Fukuoka, 2018)

Voltar a casa

O convite para assumir a direção do Centro Ciência Viva de Constância surgiu quando estava em Paris. Máximo Ferreira preparava uma passagem de testemunho e a Ciência Viva, a Câmara Municipal de Constância e o Instituto Politécnico de Tomar, os três associados do centro, decidiram apostar em Lina Canas.

Para a astrónoma, a decisão foi natural e relativamente rápida. Havia uma vontade antiga de voltar à região, mas também uma razão familiar: queria que a filha crescesse “aqui, na nossa região, no nosso país”.

No Pavilhão do Conhecimento, sede da Ciência Viva, convidada no programa ‘Espaço à Quarta’, num episódio especialmente dedicado ao Eclipse do Sol de 12 de agosto de 2026. (Lisboa, 2026)

Regressar significava também tentar devolver à terra de onde saiu alguma coisa daquilo que aprendeu pelo mundo. “Eu queria voltar para a minha terra, para a minha região”, explica.

“E poder, de alguma forma, humildemente, dar algo de volta à minha região.”

Em março, iniciou funções como diretora, com um mandato de três anos, renovável, encontrando um centro que considera “muito, muito especial”, fruto de 22 anos de trabalho e da visão de Máximo Ferreira.

Lina não chegou a Constância para romper com o passado. Pelo contrário, reconhece o valor do trabalho desenvolvido pelo anterior responsável e pela equipa e prefere falar em continuidade e modernização.

O Centro, diz, é um “diamante em bruto”, com equipamentos que precisam de ser atualizados e um potencial que pode ser explorado de novas formas. Entre as suas prioridades está uma dimensão mais moderna, mas também uma relação mais profunda com a comunidade e com o território.

Três décadas volvidas, depois de passar por Espinho, Tóquio, Paris e pelos cinco continentes, Lina Canas regressou à região para dirigir o Centro Ciência Viva de Constância, com a ambição de o transformar numa referência ibérica de divulgação da astronomia e das ciências espaciais. Foto: mediotejo.locais.net/

É aqui que surge uma das ideias que mais quer desenvolver: o Centro como uma espécie de “incubadora de profissões”. Não apenas um lugar onde os jovens fazem atividades de ciência ou estágios em comunicação, mas um espaço onde possam conhecer diferentes profissões e perceber que há caminhos ligados à ciência, à tecnologia, à astronomia e ao setor espacial.

Num território onde muitos jovens acabam por sair por não encontrarem oportunidades, Lina acredita que um centro de ciência também tem a responsabilidade de mostrar que existem outros futuros possíveis.

O Centro recebe, em média, cerca de 25 mil visitantes por ano, embora já tenha atingido os 30 mil, e conta atualmente com nove trabalhadores e um orçamento anual na ordem dos 250 mil euros, valor que varia em função dos projetos.

Lina considera que é possível crescer, sobretudo através do astroturismo e da criação de condições para que os visitantes permaneçam mais tempo na região, aproveitando um céu noturno que considera uma das grandes mais-valias de Constância.

A noite em que Lina Canas olhou para Saturno e decidiu ser astrónoma. Hoje é diretora do CCV Constância – Parque de Astronomia

Quer ainda desenvolver a ciência cidadã, envolvendo a comunidade de astrónomos amadores e cidadãos na utilização dos telescópios do centro e na produção de ciência astronómica.

“Somos um centro de Constância”

A ambição vai além de aumentar visitantes. Lina quer que a população local reconheça o Centro como um espaço seu e como uma mais-valia para o território, não apenas na área da ciência, mas também nas dimensões social, económica, turística e cultural.

“Nós não somos centro de ninguém”, afirma. “Somos um centro de Constância, do Médio Tejo e da comunidade.”

A noite em que Lina Canas olhou para Saturno e decidiu ser astrónoma. Foto: mediotejo.locais.net/

É nessa lógica que vê também a astronomia como instrumento de desenvolvimento territorial. O astroturismo pode trazer visitantes interessados em observar o céu, mas esses visitantes acabam por dormir em hotéis, comer nos restaurantes e conhecer outros pontos da região. Um fenómeno astronómico pode, assim, ter consequências que ultrapassam largamente a observação do céu.

O eclipse solar de 12 de agosto deu-lhe uma primeira demonstração dessa capacidade. O Centro Ciência Viva esgotou o limite de 500 inscrições e acabou por receber ainda mais algumas centenas de pessoas que se deslocaram ao local, levando Lina a estimar que terão passado pelo espaço cerca de 700 participantes.

Mais do que o número, ficou-lhe a memória de uma experiência coletiva. Pessoas diferentes, muitas delas sem uma ligação habitual à astronomia, juntaram-se para observar o mesmo fenómeno e partilhar o mesmo deslumbramento.

“Foi uma experiência coletiva humana”, resume. Para Lina, um eclipse tem uma capacidade particular de levar a ciência a pessoas que normalmente não procurariam uma atividade de astronomia.

“É um evento que faz virar as cabeças para a astronomia”, diz, porque consegue atrair públicos que, noutras circunstâncias, talvez nunca entrassem num centro dedicado à área.

Uma preocupação que acompanha Lina Canas há anos: tornar a astronomia acessível a todos.. Foto LC

O acontecimento foi também uma oportunidade para colocar em prática uma preocupação que a acompanha há anos: tornar a astronomia acessível a todos.

No eclipse, a experiência não se limitou aos óculos e telescópios. Foram disponibilizados materiais táteis para explorar a relação entre o Sol, a Terra e a Lua e perceber o que estava a acontecer através de outros sentidos. A procura mostrou-lhe que a acessibilidade não é apenas uma questão de responder às necessidades específicas de pessoas cegas ou com baixa visão.

“Ter a parte auditiva, a parte visual e a parte tátil apenas reforça a experiência de aprendizagem”, defende.

A senhora que queria ver as estrelas

Essa preocupação nasceu muito antes de chegar a Constância e está ligada a uma história que Lina não esqueceu. Em Espinho, uma mulher idosa, que se deslocava numa cadeira de rodas, quis participar numa observação noturna. O observatório tinha escadas e o espaço não estava preparado para receber alguém naquela situação. A visitante levantou-se e disse-lhe que conseguiria andar, pedindo apenas que tivesse paciência com ela.

A reação da mulher fez Lina perceber que o problema não estava na visitante. Estava nela e na equipa, por não terem conseguido criar condições para que aquela pessoa pudesse ter a mesma experiência que os restantes participantes.

“Eu é que não estou a fazer o meu trabalho como deve ser”, pensou então. A partir daí, aprofundou o trabalho de acessibilidade, procurando soluções simples e de baixo custo, desde projetar a imagem de um telescópio até produzir materiais táteis que permitissem criar uma alternativa à experiência exclusivamente visual.

Para Lina, isto não é uma questão acessória da comunicação científica. “Estaríamos a ser profissionais de comunicação incompetentes se não procurássemos tornar a comunicação que fazemos de ciência, de astronomia, acessível à diversidade da nossa comunidade”, afirma.

A preocupação levou-a, já como diretora da União Astronómica Internacional, a promover em 2019 o primeiro simpósio da organização dedicado à inclusão em astronomia.

Lina Canas é a nova diretora do Centro de Ciência Viva de Constância – Parque de Astronomia. Foto: mediotejo.locais.net/

A experiência internacional reforçou-lhe ainda outra convicção: a astronomia não tem de ser apenas para quem já gosta de ciência. O desafio está precisamente em encontrar pontes com quem não sente qualquer interesse pelo céu. “Como é que eu posso, usando os gostos que elas têm, atraí-las para a astronomia e falar de astronomia?”, questiona.

É nessa procura que encontra uma parte importante do entusiasmo que continua a ter pela comunicação de ciência.

Depois do Sol, vem a Lua

O eclipse solar foi o primeiro grande acontecimento astronómico da sua direção, mas já há outro fenómeno no horizonte. Na noite de 27 para 28 de agosto, o Centro Ciência Viva prepara uma programação dedicada ao eclipse lunar, com observação durante a madrugada.

As atividades começam à meia-noite e os mediadores estarão no local durante a noite, com o eclipse a decorrer aproximadamente entre as 02:00 e as 07:00 e o máximo previsto para perto das 05:00. O parque de apoio do centro estará disponível para quem quiser pernoitar no local.

A ideia é aproveitar o fenómeno para continuar a aproximar as pessoas da astronomia, mas também para proporcionar uma experiência mais prolongada de observação do céu. E este é apenas um dos caminhos que Lina quer explorar nos próximos anos. Gostaria de trazer a Constância um encontro internacional de astrónomos amadores, criando uma ponte entre estes, os profissionais e a comunidade.

Para ela, aliás, a distinção entre astrónomos profissionais e amadores não deve ser uma barreira. “Todos nós somos astrónomos amadores”, afirma. Basta olhar para o céu e estabelecer uma relação com aquilo que se observa.

E, se houver alguém ao lado com quem partilhar essa experiência, já existe comunicação de astronomia.

É essa dimensão humana que gostaria de reforçar no Centro: mais momentos de encontro, partilha e participação, usando a astronomia como ponto de partida. Depois de uma carreira construída em redes internacionais, quer agora trazer parte dessa experiência para um território concreto e próximo.

Os pés na Terra, os olhos no céu

Depois de Tóquio, Paris e de uma carreira que a levou pelos cinco continentes, Lina Canas encontrou em Constância algo que não encontrava nas grandes cidades onde viveu: a proximidade com a natureza. No Alto de Santa Bárbara, onde está instalado o Centro Ciência Viva, vê uma paisagem que considera única, uma combinação de céu, natureza, silêncio e serenidade que não se encontra facilmente numa grande capital.

Lina Canas: Os pés na Terra, os olhos no céu. Foto: mediotejo.locais.net/

Já conhecia o Centro antes de chegar. Sabia que era uma referência nacional na área da astronomia e conhecia a importância do trabalho desenvolvido ao longo de mais de duas décadas. Agora, quer acrescentar-lhe uma nova etapa, sem apagar a história que o trouxe até aqui.

Quando terminar o primeiro ciclo de três anos, diz que será cedo para avaliar o que mudou. Mas aceita fazer o exercício. Gostaria que o Centro Ciência Viva de Constância fosse reconhecido como uma referência ibérica, ou mesmo europeia, na divulgação da astronomia e das ciências espaciais, com novos espaços, equipamentos e tecnologias e uma dimensão “state of the art”.

Mas a ambição não se mede apenas em equipamentos ou visitantes. No fundo, aquilo que Lina Canas quer construir em Constância é uma extensão daquilo que descobriu naquela noite, há 30 anos, numa praia algarvia: uma forma de olhar para o céu capaz de despertar curiosidade, aproximar pessoas e abrir caminhos.

Foi uma noite a observar Saturno que lhe mostrou o seu caminho. Agora, de volta à região onde nasceu, quer ajudar outros a encontrar o deles.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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