Da mesma forma que os homens não se medem aos palmos, também os países não se medem nem pelo número de quilómetros nem pelo número de habitantes.
Sou confessadamente um admirador da Islândia e do seu povo, consciente que também terão os seus defeitos que compensam largamente com as suas virtudes. A atitude, a coerência, a determinação e essencialmente a verticalidade da sua espinha dorsal que os distingue da cobardia reinante entre a carneirada mundial.
Não são donos do mundo mas são donos do seu destino. E mesmo quando alguns tresmalhados os deixaram em dificuldades, nem assim se vergaram, conscientes que se pode perder tudo desde que não se perca a dignidade.
E esta linha condutora serve para tudo, porque quando o carácter faz parte do ADN, o erro é apontado como erro, quer ele seja praticado connosco ou com outro qualquer.
Esta coragem não deixa de ser um traço de personalidade que desenha a impressão digital que faz a assinatura de um país que teima em vergar-se aos novos velhos impérios que ameaçam reerguer-se das cinzas do passado.
Voltou a ser assim nesta segunda feira. Num mundo cada vez mais hipócrita, não há que ter medo de ser politicamente incorreto quando a razão está do nosso lado.
Essencialmente, não há que ter medo de se ser coerente ao não permitir que as nossas palavras sejam contrariadas pelas nossas ações quando estamos na presença “de uma grave violação das leis internacionais, que ameaça a paz e a segurança na Europa”.
O caso Skripal não é um crime de um país praticado contra um cidadão, é um crime de um país praticado contra a humanidade e a impunidade cobarde com que alguns tentam branquear a situação é confrangedor quando comparada com a atitude da Islândia.
Bem sei que nada está provado e que nestes casos de espionagem internacional nem tudo é o que parece e muitas vezes, apenas parece, precisamente para confundir a opinião pública… ou para dar início a uma nova guerra fria.
Mas como em tudo na vida, também neste caso, acho preferível tomar uma posição errada do que não tomar posição nenhuma… fingindo que não se passou nada.
Em breve teremos a oportunidade de o confirmar, porque já falta pouco para chegarmos a meados de junho e, nessa altura, poderemos comparar a pequenez hipócrita dos grandes em relação à grandeza corajosa de alguns pequenos.
