Festas da Nossa Senhora da Boa Viagem, em Constância. Foto de Arquivo: Paulo Jorge de Sousa

Ponto de chegada (ou de partida) da Grande Rota do Zêzere, Constância é a vila em que o rio Zêzere se funde com o Tejo. A melhor forma de conhecer a história do município é visitando o seu Museu dos Rios e das Artes Marítimas, ofícios que marcaram o seu crescimento e transformação num território autónomo.

Por estas terras afirma-se ter vivido (e estado preso) o príncipe dos poetas, Luís Vaz de Camões. A localidade começou por chamar-se Punhete, mas a população não gostava. Diz-se que tal nome associava aquelas gentes a histórias menos próprias, nomeadamente a um senhor feudal a quem chamavam de “mãozinhas calejadas”.

O apoio dada pelo povo aos liberais na Guerra Civil levou a que a Rainha D. Maria II acedesse a modificar a toponímia, batizando a terra de Constância, pela sua “constância” nas lutas contra os absolutistas.

Museus dos Rios e das Artes Marítimas. Foto: DR
Museus dos Rios e das Artes Marítimas. Foto: DR

O concelho fora criado em 1571 pelo Rei D. Sebastião, numa vila onde a economia se centrava no rio, com o transporte fluvial, a construção e a reparação naval, a travessia e a pesca.

Foto: DR
Constância no séx. XIX. Foto: DR

A construção do caminho-de-ferro, das barragens e o transporte rodoviário vieram diminuir gradualmente a atividade do rio, voltando-se a população para novas formas de subsistência. Desses tempos guarda-se a Festa de Nossa Senhora da Boa Viagem, um dos maiores acontecimentos culturais do concelho.

Festas da Nossa Senhora da Boa Viagem, em Constância. Foto: Paulo Jorge de Sousa
Festas da Nossa Senhora da Boa Viagem, em Constância. Foto: Paulo Jorge de Sousa

Para não se perder a História de Constância e a marca social e económica que permitiu o seu desenvolvimento até meados do século XX, o Museu dos Rios e Artes Marítimas, criado em 1998, tem patente uma exposição etnográfica que oferece ao visitante uma redescoberta da antiga Punhete fluvial.

O percurso  no Museu é iniciado com uma breve introdução histórica ao passado da vila e às antigas atividades que a fizeram prosperar, recorrendo-se a fotografias antigas. Segue-se depois para um espaço dedicado à pesca e o transporte fluvial. A exposição termina com a reconstituição de um estaleiro de calafate, onde estão expostos um barco em fase de construção e uma grande variedade de ferramentas e de utensílios utilizados neste trabalho.

A entrada custa 1 euro.

Museu dos Rios e Artes Marítimas, Estrada Nacional 3, Constância

Casa Museu Vasco de Lima Couto, em Constância. Foto: mediotejo.net

O que visitar mais?

Casa-Museu Vasco de Lima Couto Trata-se de uma casa apalaçada do século XVIII onde viveram várias figuras da história nacional e local, entre as quais Passos Manuel, Jacinto de Sousa Falcão, Francisco Moncada, José Campas e José Ramoa Ferreira, o “Zé Brasileiro, português de Braga” dos versos de Vasco de Lima Couto.

O poeta viveu aqui os últimos anos da sua vida, tendo sido inaugurada a Casa-Museu em 1981, após o seu falecimento. O espólio é constituído por objetos pessoais de Lima Couto e muitos originais, assim como correspondência e coleção de arte.

A visita exige marcação prévia.

Largo Avelar Machado Nº1-2, Constância

Quinta Dona Maria. Foto: DR
Quinta Dona Maria. Foto: DR

Museu Quintas do Tejo/Quinta Dona Maria Foi uma das quintas mais prósperas da região de Constância, tendo entrado em decadência na segunda metade do século XX. O imóvel foi adquirido pela Câmara Municipal e pretende-se instalar no espaço um Museu Etnográfico relacionado com as atividades agrícolas da quinta.

Rua Annes de Oliveira, nº 62, Montalvo

Foto: DR
Casa-Memória de Camões. Foto: DR

Casa-Memória de Camões Antigas ruínas de uma casa do século XVI à beira rio, onde se diz que o poeta Luís Vaz de Camões esteve preso. As ruínas da casa quinhentista foram classificadas como imóvel de interesse público em 1983. No espaço foi construída uma Casa-Memória, de forma a preservar este património.

Rua da Barca, nº 1, Constância

Ruínas Romanas de Alcalobre Ruínas de uma antiga villa romana, encontrando-se visível apenas uma parte da estrutura que se sabe existir no local, nomeadamente o complexo termal. As escavações arqueológicas têm estado paradas nas últimas décadas.

Junto à ribeira de Alcalobre, entre Santa Margarida e Tramagal

Centro de Ciência Viva de Constância Inaugurado em 2004, o Centro é composto por um edifício principal com auditório, observatório e planetários e vários módulos exteriores (representação do Sistema Solar, carrossel representando o Sol, a Terra e a Lua, um Globo terrestre, uma Esfera Celeste e um Relógio de Sol Analemático).

Alto de St. Bárbara Via Galileu Galilei, nº 817, Constância

Foto: DR
Foto: DR

Borboletário Tropical Espaço criado em 2013 para dar a conhecer o mundo das borboletas. No seu interior a temperatura está sempre quente e húmida, da forma a manter vivas durante todo o ano borboletas tropicais.

O preço médio é de 2,50 euros, com descontos para infantis e seniores.

Parque Ambiental de Santa Margarida, Estrada Municipal 592, Vale de Mestre, Santa Margarida da Coutada

Igrejas do concelho O município de Constância possui em todas as suas localidades Igrejas e capelas dignas de visitação. Dadas as suas características arquitetónicas e históricas, referimos as seguintes:

  • Igreja Matriz de Montalvo Templo do século XVIII.
  •  Igreja das Misericórdias Imóvel de Interesse Público, é um espaço do século XVII de estilo barroco.
  •  Igreja Matriz de Constância Espaço que foi sendo construído ao longo dos séculos, a partir de uma antiga capela que existia no local, com grandes influências do estilo barroco. É Imóvel de Interesse Público.
  •  Convento de Nossa Senhora da Boa Esperança e Capela de S.João Baptista Solar e capela do século XVIII, propriedade da fidalguia local que a doou posteriormente às Irmãs Clarissas.
  • *Este artigo é parte integrante de uma série especial sobre os Museus no Médio Tejo. Descubra mais sugestões em mediotejo.net

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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