Cavalo Selvagem está a ser cuidado com feno e água

Naquele pedaço de terra, outrora viva e verdejante, surge por entre as cinzas, a galope, como se emergisse de um outro tempo, o Cavalo Selvagem. Ao que se sabe, nunca lhe foi dado um nome, embora já tenha pertencido a alguém.

Há anos que ali permanece, em Fadagosa e Vale do Grou, Mação, entregue a si próprio, percorrendo os montes e os vales. Tem resistido aos desafios da Natureza, porque dela faz parte. Dizem que é um cavalo selvagem porque ninguém lhe conseguiu deitar a mão. Mas, acima de tudo, é um cavalo que conquistou a sua liberdade.

Quem por ali passa habituou-se a ver o verde da natureza e o cavalo. Tudo na mesma paisagem. Mas a imagem agora é outra. A palete deixou de ter cores exuberantes e a paisagem ficou cinzenta. As árvores perderam a vida. Tudo parece ter mudado de tempo.

Sente-se no ar a desolação, a impotência, a dor. Por momentos os braços caem e a esperança esvai-se. E quando tudo parece perdido eis que ele surge mais forte que nunca, num galope vibrante. Enfrentou o fogo que o fez estremecer, sem o conseguir derrubar. Por baixo dos cascos a terra é um manto de cinzas e já não lhe serve de pasto. Mas ele resistiu!

O fogo quase que transformou toda aquela paisagem. Mas não conseguiu porque dela ainda faz parte o Cavalo Selvagem.

As gentes de Mação entenderam a mensagem deste animal, que agora recebe feno e água de quem o vai visitar: não há fogo que destrua a força de viver.

E se ninguém pode voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e construir um novo fim.

Com os apoios, entre outros, de Henrique Horta, video de Michel Henrotay (registo filmado do Cavalo Selvagem de Mação/ 2013), fotos de Maria Rita Branco

Gisela Oliveira

Jornalista profissional há mais de 30 anos, passou por vários jornais diários nacionais, nomeadamente pelo 'Diário de Lisboa', 'Diário de Notícias' e 'A Capital'. Apaixonada pela profissão desde a adolescência, abraçou o jornalismo nas suas diversas áreas, desde o Desporto às Artes e Espetáculos, passando pela Política e pelos temas Internacionais. O jornalismo de proximidade surge agora no seu percurso.

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1 Comentário

  1. Pronto ☺não é bonito deixar-me com lágrimas nos olhos
    Texto bonito sobre um animal nobre que a tudo resiste
    Ainda bem que há gente boa que, respeitando o seu lado selvagem, lhe vão levar feno e água
    Não é só aos humanos que a porcaria do fogo faz mal, quantos animais resistiram e quantos não resistiram
    Mas Mação, seus habitantes e florestas são fortes e tudo vai voltar ao sítio

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