Passagem de ano com restrições devido à pandemia. Foto: Getty Images

As restrições para conter a pandemia de covid-19 no período de Ano Novo vão manter-se até ao final do dia de sábado, devido ao agravamento da situação epidemiológica e recente aumento de casos, sendo obrigatória a apresentação de um teste negativo para entrar em restaurantes, casinos e festas de passagem de ano. Na via pública estão proibidos ajuntamentos de mais de 10 pessoas, bem como o consumo de bebidas alcoólicas.

O jornal mediotejo.net perguntou à Delegada de Saúde Pública do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo a sua opinião sobre as festas da passagem de ano, porque se realizam umas e outras não, e que conselhos deixa à população neste final de ano.

Há quem questione porque algumas iniciativas se realizam e outras não, em condições similares, como feiras de natal e passagens de ano. Inclusive os bares e discotecas estão encerrados mas outros espaços não. Qual é a lógica?

Tudo depende da forma como são as festividades. Tanto as feiras de Natal como as próprias discotecas são sempre de grandes aglomerações de pessoas. E as próprias discotecas permitem que se esteja na discoteca sem máscara, há consumo de álcool que pode fazer com que não se pratiquem as medidas que devem ser praticadas e portanto as medidas são aplicadas também por causa disso. Nas feiras de Natal, é sempre difícil fazer com que as pessoas não estejam aglomeradas nesses locais, outras festas de passagem de Ano têm realmente planos de contingência todos muito bem delineados e delimitados e que é possível por em prática diversas medidas que não é possível noutras situações, e portanto tudo depende e tudo está na consciência das pessoas.

A festa de Natal é mais familiar e a de fim de ano mais social, e nesta altura ainda não estamos em condições em relação à pandemia de estarmos completamente à vontade para fazer festas sociais, portanto são de evitar e serão também de ter todos os cuidados naquelas que se realizarem para evitar a transmissão do vírus.

As autoridades de saúde pública não proíbem as festas, podem é recomendar?

Exatamente, a nossa recomendação é que não se realizem, que tenham todos os cuidados que se deve ter, que quem não está vacinado ainda, que se vacine, que quem tem a vacinação iniciada que a complete, que se façam testes, testes, testes pois a testagem é muito importante, e que se evitem ao máximo este tipo de festas de grande aglomeração de pessoas, sobretudo de pessoas que não conhecemos, de que zonas são, que são pessoas desconhecidas, e portanto ainda são de evitar esse tipo de manifestações.

ÁUDIO | MARIA ANJOS ESPERANÇA, SAÚDE PUBLICA DO MÉDIO TEJO:

O reforço das restrições durante a época festiva, que também vigoraram nos dias 24 e 25 de dezembro, surge em resposta ao agravamento da situação epidemiológica devido à nova variante Ómicron do SARS-CoV-2, que já é dominante em Portugal, e numa altura em que o país regista novos máximos de infeções diárias (30.829 casos esta sexta-feira) e um aumento exponencial da incidência e do índice de transmissibilidade.

Para os próximos dias, o Governo recorda ainda as recomendações dadas no Natal, designadamente o incentivo à realização de testes de diagnóstico, evitar encontros com muita gente, em espaços fechados, pequenos e pouco arejados e evitar estar muito tempo sem máscara.

A par das medidas decretadas pelo Governo, vários municípios têm vindo a cancelar festas de passagem de ano no espaço público.

Além das medidas anunciadas em Conselho de Ministros especificamente para o período de Natal e Ano Novo, estão em vigor desde 25 de dezembro outras restrições no continente inicialmente previstas apenas para a primeira semana de janeiro, como o regresso ao teletrabalho obrigatório, o encerramento de creches e ateliês de tempos livres (ATL) e de bares e discotecas.

Até dia 09 de janeiro, é também obrigatório um teste negativo para o acesso a hotéis e estabelecimentos de alojamento local, para eventos empresariais e festas familiares, como casamentos ou batizados, e para eventos desportivos e culturais, independentemente do número de espetadores.

A lotação dos espaços comerciais foi limitada a uma pessoa por cada cinco metros quadrados para evitar ajuntamentos que acontecem na semana a seguir ao Natal para trocas de presentes.

Portugal Continental está em situação de calamidade desde 01 de dezembro devido ao aumento do número de casos.

Portugal regista novo máximo diário e ultrapassa os 30 mil casos

Portugal registou 30.829 novas infeções com o coronavírus SARS-CoV-2 nas últimas 24 horas, um novo máximo desde o início da pandemia, e mais 18 mortes associadas à covid-19, indicam números divulgados pela Direção-Geral da Saúde (DGS).

O boletim epidemiológico diário da DGS regista uma redução do número de pessoas internadas, contabilizando hoje 1.024 internamentos, menos 10 do que na quinta-feira, 145 dos quais em unidades de cuidados intensivos (mais uma nas últimas 24 horas).

Os casos ativos voltaram a aumentar nas últimas 24 horas, totalizando 178.712, mais 20.288 do que na quinta-feira, e recuperaram da doença 10.523 pessoas, o que aumenta o total nacional de recuperados para 1.191.979.

Comparativamente com a situação registada em Portugal no mesmo dia há um ano, o país tem hoje mais 23.202 novos casos de infeção – contabilizaram-se 7.627 novos casos em 31 de dezembro de 2020 – e mais 106.216 casos ativos (há um ano totalizavam 72.496).

O número de internamentos é significativamente inferior, uma vez que há um ano estavam internadas 2.840 pessoas, 482 das quais em cuidados intensivos, havendo também menos óbitos (no mesmo dia de 2020, o boletim da DGS contabilizava 76 mortes nas 24 horas anteriores).

c/LUSA

Mário Rui Fonseca

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Entre na conversa

1 Comentário

  1. Consciência! Qual consciência… Nos últimos dias em idas as superfícies comerciais da zona até numa de venda grossista tenho visto muitos grupos de jovens adultos e adolescentes a encher carrinhos de compras para festas privadas de passagem de ano… Se hoje temos perto de 30 mil casos e o Natal é sobretudo uma festa familiar, daqui a uma semana será o dobro….

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado.