Município de Abrantes aposta em projeto de transição digital nas freguesias. Foto: DR

Face à forma como a comunicação se faz no mundo global, onde se privilegia a resolução de questões da vida quotidiana e acesso a serviços por via de balcões digitais, o Município de Abrantes iniciou a implementação de um projeto de transição digital nas freguesias do concelho com objetivo de permitir o acesso aos serviços da administração local por via da plataforma já existente, o canal Abrantes 360º (ou a sua aplicação para dispositivos móveis). As juntas de freguesia serão capacitadas para tal, por via de meios de infraestrutura tecnológica e humanos. A par desta ação, será promovido pela autarquia o reforço da cobertura de rede de internet para colmatar as zonas brancas, onde não se verifica acesso à mesma, com a instalação de dispositivos retransmissores. O projeto já arrancou em fase piloto na freguesia de Bemposta, aquela que apresenta maiores dificuldades neste âmbito.

Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câmara de Abrantes, referiu que se trata de apostar na criação das chamadas “estradas digitais”, numa articulação entre o Município, mais propriamente os serviços e a Divisão dos Sistemas de Informação, e as freguesias.

“Queremos que este mundo digital possa preencher na sua globalidade o domínio territorial do concelho”, assumiu.

O autarca explicou que não existe obrigatoriedade no projeto, mas que a intenção é conseguir trabalhar com as 13 freguesias para alcançar “um modelo global de organização” no âmbito de um projeto de transformação digital comum, onde a tecnologia pretende ser “facilitadora no acesso aos serviços públicos da administração local”.

ÁUDIO | Manuel Jorge Valamatos, presidente da CM Abrantes:

O objetivo passa por “evitar a necessidade de deslocação de pessoas à cidade para aceder aos serviços públicos disponibilizados pelo município e garantir mais agilidade no acesso dos serviços através das plataformas online (portal web ou aplicação para dispositivos móveis)”, ao passo que estará a “simplificar a interação Município-freguês” por via de autenticação segura e com registo único, e ainda se estará a rentabilizar os recursos disponíveis.

Entre as cláusulas de apoio às freguesias, pretende-se que seja disponibilizada infraestrutura tecnológica do Município, “dimensionada para suportar o projeto” em causa.

Reunião do executivo da Câmara Municipal de Abrantes, a 5 de abril de 2022. Foto: mediotejo.net

Pretende-se apoiar as juntas de freguesia no processo de transformação “conscientes da importância que o mundo digital adquiriu especialmente nos últimos anos, importa apoiar e capacitar as juntas de freguesia no seu processo de transição digital”, referiu o edil abrantino na reunião de executivo realizada esta semana.

Manuel Jorge Valamatos indicou que “será uma equipa do município a garantir a execução de ações de formação e acompanhamento”, defendendo que as juntas de freguesia “têm que ter uma relação de grande proximidade e relacionamento institucional”.

“Temos um conjunto de equipamentos e estruturas centrados na Câmara Municipal e queremos que eles possam avançar para as diferentes freguesias, e possamos, no fundo, criar novas autoestradas na área digital, para que as pessoas não tenham necessidade de permanentemente se deslocar à sede do concelho para resolver às vezes pequenas situações que o mundo digital facilita”, explicou.

Em causa está a facilitação do acesso, o incentivo e instrução para maior utilização da plataforma Abrantes 360º, onde, através de um canal único de relacionamento online, é permitido aos cidadãos, associações, investidores resolver uma série de questões diretamente com os serviços do Município e com os Serviços Municipalizados de Abrantes.

“A ideia é disponibilizar nas freguesias pessoas capazes de ajudar a comunidade a resolver as suas questões com base no acesso à plataforma”, acrescentou o autarca.

Para tal o intuito passa por dotar o território de equipamentos e estruturas que acabem com as chamadas zonas brancas, onde não existe acesso à internet, e a solução é instalar retransmissores.

Foto: Pixabay

“Do ponto de vista técnico, pretendemos colocar dispositivos e equipamentos que permitam uma amplitude global da rede de internet. Queremos colocar, nos locais sem acesso à internet, equipamentos que ajudem a ultrapassar as dificuldades que existem em vários pontos do concelho, assegurando a cobertura de internet”, detalhou.

Na mesma medida, as juntas de freguesias passam a contar com “instrumentos técnicos e informáticos, capazes de dar respostas nas diferentes comunidades, tudo a partir de uma plataforma que já existe no Município e também de equipamentos apoiados pelos serviços da Divisão de Sistemas de Informação”.

“Estamos a querer articular com as juntas de freguesia e otimizar os recursos já existentes no município, através dos nossos serviços, capazes de responder a todo o universo do concelho”, apetrechando as juntas de freguesia de “meios técnicos, recursos humanos e informação para auxiliar as pessoas”.

Através da instalação de equipamentos pretende-se, por outro lado, “acabar com as zonas sem cobertura de rede, para que o concelho possa ter estas novas estradas digitais”.

O processo já arrancou no município, estando a junta de freguesia de Bemposta a albergar o projeto-piloto.

“Já estamos a trabalhar e já conseguimos colmatar algumas zonas que estavam sem internet em algumas localidades da freguesia. Estamos a capacitar também a junta de freguesia de meios quer humanos, quer técnicos, para que as respostas possam acontecer”, deu conta.

Foto: CMA

O propósito é conseguir “chegar a todos os sítios do concelho e que ninguém esteja sem acesso à informação”.

A consolidação e aprovação deste “grande programa complexo” foi aprovada em reunião de Câmara do dia 5 de abril.

“Esperamos ter a cobertura generalizada do concelho o mais rápido possível, não temos datas concretas. Queremos fazê-lo o mais rápido possível. Depende das dificuldades que formos encontrando neste caminho digital que se pretende que todos tenham acesso”, disse em declarações à comunicação social.

Segundo a autarquia, a freguesia de Bemposta, que alberga a primeira fase do programa enquanto projeto-piloto, comporta maior “exigência financeira” uma vez que atinge o teto máximo de investimento por junta de freguesia no valor de 7 mil euros.

Bemposta representa a situação mais problemática, até por ser um território “mais disperso e extenso”. Ainda decorre a fase de testes, mas a expectativa é que a população das localidades mais recônditas da freguesia possa contar com cobertura de internet a breve trecho.

A proposta de contrato interadministrativo, a assinar com as juntas de freguesia que adiram ao projeto, foi aprovada em sede de executivo camarário, juntamente com a delegação de poderes no presidente de Câmara para essa assinatura, e seguirá agora para deliberação em Assembleia Municipal a autorização da assinatura do contrato com as juntas de freguesia que adiram ao programa de transição digital.

Joana Rita Santos

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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